"Bem... mas pra que isso serve?"

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1968 - Um engenheiro da divisão de sistemas avançados da IBM
Durante uma palestra interna da Empresa sobre o microchip

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MARCELO vs. CÂNCER


O COMEÇO

A primeira crise de dores abdominais eu tive em fevereiro de 2013. Com muitas pontadas, procurei ajuda no Hospital Metropolitano, antigo Hospital Iguatemi. Fui sedado com Buscopan Composto que me trouxe alivio imediato e fiz alguns exames, não chegando a nenhum diagnóstico conclusivo. Os médicos foram muito ineficientes ao chegar a qualquer conclusão. Para se ter uma idéia, um deles não se conformava que minhas dores vinham do lado esquerdo. Ele insistia que as dores tinham de ser do lado direito. Um outro leu o exame de um outro paciente me diagnosticando com pedra no rim.

No dia seguinte, fui a um gastro que me advertiu: "Você está com apendicite, precisa ir com urgência a um hospital". E lá fui eu até o Hospital Santa Helena, fazer uma tomografia em busca de mais respostas. Apareceu um "espessamento da parede e redução do calibre do colon sigmoide alto".

Os médicos então decidiram me internar, por suspeitas de diverticulite. Mas não haviam leitos disponíveis. Durante as quase 20 horas que fiquei no hospital, não recebi nenhum medicamento e, à noite, já tinha perdido por completo a paciência. Terminei indo embora por conta própria (assinei um documento de alta irresponsável) e, depois de quase chegar às vias de fato com os funcionários do hospital, fui embora aos gritos.

Melhorei nos dias seguintes e tudo passou. Voltei à minha rotina corriqueira, e, chateado com o péssimo tratamento médico recebido durante o atendimento da Unimed Fesp, aceitei a oferta do presidente da Beta do Brasil em integrar, sem custo, no plano corporativo da empresa.

Desta forma, na minha segunda crise, em janeiro de 2014, fui muito bem atendido no Hospital São Luiz, através do plano empresarial do Bradesco. Depois de um jantar horroroso, mas feito com carinho pela Claudinha, passei a noite vomitando e com fortes dores abdominais.

Cheguei ao pronto-socorro com diarréia, vômito e um calor insuportável, ao ponto de estar vestido apenas com um shorts de atleta. Tomei mais uma vez o relaxante Buscopan Composto, na veia, enquanto alternava o balde de vômito com as idas ao banheiro pra aliviar a diarréia.

Eu estava convencido que não passava de uma infecção corriqueira no intestino que melhorou com o passar dos dias. O médico pediu que eu o procurasse em duas semanas para exames mais detalhados. As duas semanas viraram meses e eu só procurei um médico em agosto. As coisas não iam muito bem no trabalho e eu decidi tirar uns dias para colocar a saúde em ordem, fazendo os exames recomendados. Procurei um gastro, que me solicitou ultrassom, endoscopia e a colonoscopia, aquele exame em que nossa dignidade fica abalada.

Sendo assim, fiz os exames solicitados e, já na colonoscopia, o cenário foi ficando tenso. No preparo para o exame, vomitei muito e tive uma diarréia descontrolada. Continuei vomitando muito até depois do exame.

Lembro que minha única preocupação neste dia, quando foram feitos a colonoscopia e endoscopia, era que, caso os médicos fossem se utilizar da mesma câmera, que fizessem primeiro a endoscopia. Foi uma piada pronta que serviu para quebrar aquele "gelo" da perda da virgindade anal.

Embora todo o clima tenso, meu bom humor sempre prevalecia. Respondi com piada á enfermeira, que me prometia um lanche após o exame. "Minha senhora, um lanche?!? Normalmente, quando vou ao cú de alguém, pago um jantar e cinema... Um lanche é bem pouco, não?"

Mesmo com meu bom humor, já na recuperação, o médico avisou a Claudia que o exame não correu bem. A câmera não conseguiu avançar na colonoscopia, pois havia um grande estreitamento do intestino, de onde foram coletadas várias partes para uma biópsia.

E então, no meio de agosto, chegaram os exames da biópsia. Foi constatado um câncer maligno: Adenocarcinoma invasivo moderadamente diferenciado.

A coisa era grave.

No retorno ao médico, um velhinho muito atencioso, sua cara de pavor ao ler o laudo, foi uma impagável assinatura de que as coisas iam mal. Recomendou-me urgente um cirurgião, o qual tratei de ir logo.

E lá, para além do medo, minha dignidade foi por água abaixo. Enquanto a colonoscopia tinha sido feito com anestesia geral, o exame de toque foi à seco, ali no consultório, sem preparo ou discrição. Entre uma conversa e outra, decidi ir me consultar com o Dr. Paulo Corsi, médico que já tinha feito uma operação em meu pai, e, já sabia eu, era muito atencioso.

No consultório do Dr. Paulo Corsi, ficou marcada uma cirurgia seletiva no dia 10 de novembro, onde o câncer seria removido e as duas pontas do intestino religadas. Porém, antes da data, em 20 de outubro, fui operado de emergência em virtude de o câncer ter evoluído e fechado, por completo, o intestino.

Para piorar, foi detectado que eu também tinha pedra na vesícula, que seria removido na mesma cirurgia.

Já se acumulava muita informação. Poucos meses antes, a madrinha da minha irmã, Meire, tinha sido internada pelo mesmo motivo. Um câncer havia interrompido o trato intestinal e ela já sofria, meses internada. A minha querida Meire, não resistiu à recuperação da cirurgia e, em função da diabetes, faleceu, lamentavelmente, em 10 de outubro.

Na sexta-feira, 17 de outubro, dia da sua missa de sétimo dia, eu já sentia que as coisas não iam bem. Fizemos um churrasco na BETA e, de noite, jantei um PicBurger no Fifties do Shopping Eldorado. E eu não tinha conseguido ir ao banheiro, fato raro no meu dia normal. No sábado à noite era inegável que se formava um quadro grave, cuja cirurgia emergencial era inevitável.

Decidi então revelar à todos os meus amigos com um POST bem sensível no Facebook:



Eu tenho câncer.

Sim, isso mesmo. Talvez eu tenha feito essa cara que você fez agora quando eu descobri. Já passei por isso, portanto.
Maligno? Sim, daqueles difíceis de digerir, lágrima aos olhos, essas coisas que nos fazem parecer mais humanos.
Já pensei em mil maneiras diferentes de dar essa notícia, mas não consegui encontrar nenhuma forma menos direta.
Então, passei da mesma forma que a recebi: sem vaselina, direto e reto.
Eu podia ter atenuado a história, usado aquela coisa de "Marcelo subiu no telhado". Mas não. Não seria eu.

Calma: como eu não preciso de noticias bombásticas pra revisar o que acontece na minha vida, nada mudou.
Continuo sendo o mesmo cara, atualmente em fase de grandes mudanças (aquela história da caixa despencando da escada, ora pra cima, ora pra baixo). O engraçado (se é que tem algum lado engraçado nisso), é que não foi por falta de aviso. Contido das minhas emoções, sempre fui criticado por não "explodir": "um dia isso ainda vai te dar câncer", diziam. Previsível. Mesmo assim, eu faria as mesmas escolhas e cometeria os mesmos erros que fiz até aqui. Afinal, eu sou a soma dos livros que li, dos filmes que vi e das histórias que vivi.

Peço desculpas aos mais queridos a quem não informei antes, mas ODEIO fazer o papel de coitadinho.

Esclarecido, faço uma operação emergencial no dia 10 de novembro, às 9h da manhã, no Hospital Samaritano em São Paulo. Depois, uns 10 dias internado em recuperação e, depois, as chatas seções de quimioterapia.

Mas por favor, sem drama: eu continuo o mesmo de sempre... pra sempre!

O que se seguiu foi, sem dúvida, um dos piores dias da minha vida.

No domingo, avisei meus familiares que deveria ir urgente ao hospital. Eu já tinha decidido parar de comer no almoço de sábado, com o intuito de minimizar a pressão abdominal. Liguei ao Dr. Paulo Corsi e fui para o hospital. Definitivamente, eu estava "entupido" - o câncer fechara o intestino por completo e as fezes não conseguiam cumprir seu trajeto normal.

Fui então pro Hospital Samaritano, onde estava agendado a minha cirurgia para retirada do câncer no dia 10 de novembro. Meu médico foi avisado e fui internado imediatamente. A cirurgia para desobstrução do intestino deveria ser urgente, pois existia o risco de as fezes se acumularem em um ponto do intestino causando distensão e depois a ruptura, iniciando um processo de infecção generalizada na cavidade abdominal.

Começaram então os procedimentos médicos de urgência, os quais eu fui muito sensível: a instalação dos acessos nas veias e a colocação de um dreno nasal até o estômago - a frio, sem anestesia.

Fui levado até o centro cirúrgico às 17h da segunda-feira, mais ou menos 4 dias depois da obstrução intestinal. Eu estava morrendo de medo, e a espera de uma hora na maca quase me matou do coração. Fiquei com uma vontade incrível de urinar, talvez, pelo nervoso da cirurgia. Tive de me utilizar de um "bico de papagaio", numa situação constrangedora.

A última lembrança que tenho é das 18h20, quando consultei o relógio. O laudo médico apontou o inicio da cirurgia às 18h30.

A Cirurgia demorou 4 horas.



PÓS-OPERATÓRIO

Acordei por volta da 1h00 da manhã de terça, com o apito irritante da máquina de anestesia. Ainda pouco grogue, percebi que a máquina estava com algum tipo de problema.

A máquina de anestesia é um suporte pós-operatório que injeta, a cada dois minutos, por exemplo, 2ml de anestésico diretamente na coluna, através de um cateter do tipo RAC. Isto é necessário, porque a cirurgia abdominal é de grande intervenção, e as dores pós operatórias são bem severas.

Embora o aparelho emitisse uma clara mensagem de "Obstrução de Stal", o anestesista insistia em trocar o equipamento por outro, que repetia o mesmo erro. Eu estava totalmente impaciente e, conforme os efeitos da anestesia operatória foram passando, eu sabia que as coisas iam ficar feitas.

E foi o que aconteceu. Quando a dor já estava ficando insuportável, o anestesista me deu mais 1h30 de paz ao ministrar 10ml de morfina direto na veia - 5ml no acesso da mão e 5ml direto na coluna pelo cateter.

A enfermeira então pediu que eu fosse levado ao quarto, pois o apito de erro da máquina de anestesia já a estava irritando, o que me deixou furioso. Deixei o centro cirúrgico, ainda sob o efeito da morfina e cheguei ao quarto às 3h00 - alertando sobre o mau funcionamento da máquina de anestesia.

O que se seguiu foi, então, puro terror. Impossibilitado de receber outra dose de morfina por causa do risco de uma parada cardiorrespiratória, fui tomado por uma dor alucinante pelas 4 horas seguintes, até que a enfermeira do turno da manhã percebeu que o cateter estava torcido, como avisava o aparelho.

Não é possível descrever aqui tudo o que aconteceu espiritualmente comigo durante essas 4 horas... Coisas que eu já tinha ouvido falar, como meu espirito abandonar voluntariamente o corpo... O desejo recorrente de que a morte me trouxesse alívio...

Perdi uns dois quilos, minha cama ficou com meu desenho em suor... Foi horrível. Queria ser possível que, nunca, ninguém jamais passe por isso.

E então, por causa destas 4 horas, todos meus índices corporais foram pro espaço. A pressão chegou a 15 por 18; Composição sanguínea toda alterada. Fora que o repouso de recuperação foi comprometido - nem sei até que ponto.

Em virtude de um provável desequilíbrio químico, continuei desejando a morte na noite seguinte... E tive muitas alucinações.

Eu sempre fui um cético, nas coisas que dizem respeito à crenças e religião. Comecei a mudar de opinião, depois que conheci a Teresa, em 2004, que fez um mapa astral perfeito de mim, sem conhecer os detalhes suficientes para tal. Desde então, tenho acreditado em algumas coisas, dentre elas, que esta vida fui eu que escolhi (se é que isso é possível).

Eu também sempre tive muita sorte nas coisas que me acontecem. Costumo dizer que, pra mim, as coisas acontecem na hora perfeita pra acontecerem.

E foi por causa destas coisas que acredito, que eu achei que ia morrer. Depois de tudo que eu tinha vivido até ali, depois de tudo que eu tinha conquistado, morrer ali, daquela maneira, parecia uma escolha que eu teria feito.

Mas depois as coisas foram voltando ao normal. Consegui dormir um pouco na quarta-feira. A pressão já estava 11 por 15. O quadro foi evoluindo...

Por causa da distensão do intestino, não foi possível fazer a cirurgia reparadora e eu estava acompanhado de uma bolsa de colostomia. Havia um grande corte no umbigo, com mais de 30 pontos. E havia um dreno abdominal, por onde saia muito sangue pós-operatório.

Houve outros momentos muito ruins, como a retirada do dreno urinário e do dreno abdominal. Fora as injeções diárias de anticoagulante na barriga, com o objetivo de evitar trombose, que terminei levando algumas pra auto-aplicação em casa.

Fui medicado com remédio pra pressão alta que me deixam com a vista turva.

Tive intenção de alta na sexta-feira, ao qual recusei. Mas na segunda-feira, eu já estava bom o suficiente para ir pra casa, me recuperar mais à vontade. Afinal, lá eu poderia me distrair com as minhas coisas e fazer o tempo passar mais rápido.

Uma coisa é certa. Se isto tudo tivesse acontecido há uns 40 anos atrás, eu teria morrido.



RECUPERAÇÃO

Nos dias seguintes à operação, sofri alguns efeitos colaterais graves (eu acho), todos eles envolvendo meu bem mais precioso: meu cérebro.

Minha autoconfiança estava em baixa e minha cabeça deu um nó. Passei a ficar com muito medo da noite (pasmem - eu que me candidataria a ser vampiro). Muita coisa ruim passou na minha mente.

Duas coisas haviam mudado definitivamente em mim. A primeira, por mudar radicalmente a forma de dormir. Eu sempre dormia de bruços, agora, em recuperação, eu tinha de estar sempre de barriga pra cima e com uma posição quase sentada. A segunda, com um aspecto moral devastador. Para quem sempre achou a síndrome do pânico e outras doenças da cabeça "uma frescura", eu estava terrivelmente dependente de ansiolíticos para me manter minimamente equilibrado mentalmente.

Isso só aumentava meu nervosismo e ansiedade.

Na quinta-feira seguinte, quando fui retirar os pontos da cirurgia, recebi o resultado da biópsia dos 25 cm de intestino que me foram arrancados. Não haviam sinais de propagação do câncer, mas a quimioterapia era recomendada porque o tumor havia alcançado alguns Linfonodos (7 de 28).

Por orientação do Dr. Paulo Corsi, procurei o ótimo Dr. José Renan Queiroz, o oncologista que deve me acompanhar por muitos anos.

Decidimos começar a quimioterapia, mas meu estado de nervos já estava em frangalhos.

Chorei muito na noite anterior à quimioterapia e escrevi, emocionado, o seguinte POST no Facebook:

Amanhã começo mais uma etapa dessa luta: Quimioterapia.

Estou muito chateado pra falar ao telefone, receber visitas ou trocar mensagens pelo celular, Skype, WhatsApp ou Facebook.
Daí, pensei em vir aqui dar uma atualizada geral, seguindo mais a sugestão do Odair, de falar um pouco sobre tudo isso.

A minha cirurgia, inicialmente marcada pra o dia 10 de novembro, teve de ser antecipada, de emergência, pois o câncer evoluiu de uma forma que fechou o intestino. Sendo assim, eu já fui operado no dia 20 de outubro.
Por ter sido desta maneira, não foi possível fazer a cirurgia como previsto. O tumor foi removido, mas não foi possível fazer a reconstrução intestinal, e eu vou ter de conviver com uma bolsa de colostomia por vários meses.
Para além disso, houveram complicações com a anestesia pós-cirurgia que me fez sofrer muita dor, alucinações e alterou bastante a minha cabeça pra as próximas etapas.

Amanhã vou ser internado mais uma vez no Samaritano, para fazer a primeira aplicação de quimioterapia e o tal do PET-CT (PET-SCAN), ultima tecnologia de diagnóstico de câncer.
Serão aplicações quinzenais durante os próximos 6 meses...

Eu sei que depois de tudo isso eu estarei livre pra sempre (oxalá) - mas tem sido muito difícil, principalmente por causa da minha cabeça, que não está muito boa.
Mesmo com a preocupação e o apoio incansáveis das pessoas que eu mais amo no mundo, ainda transpareço tristeza e abatimento.
A maior parte do meu abatimento, vem do fato de que eu sempre achei que era bem mais forte do que realmente descubro que sou.
Por isso, tenho buscado o perdão a mim mesmo... Sei que um pouco de tempo é tudo o que preciso pra recuperar-me desta espiral. É um fantasma meu, que só eu posso derrotar.

Obrigado à TODAS as mensagens de apoio e suporte, dentre as quais algumas que me foram MUITO especiais.
Seria deselegante destacar elas dentre tantas outras, mas algumas mensagens, mesmo curtinhas, me levaram às nuvens.
Mas tenho procurado ficar um pouco afastado de tudo, recluso.

Descobri um punhado de sensações na minha alma que eu desconhecia existir.
Entre elas a vaidade (pasmem!), ofuscada pelas cicatrizes e a colostomia, e o medo, despertado pela dor e outros conflitos internos...
Hoje já chorei um pouco e decidi vir aqui escrever umas palavras de desabafo.
Já não sou mais o mesmo - seria pretensão minha querer sair disso tudo imaculado.

Mas PROMETO que tudo vai ficar bem.

Beijo pra quem é de beijo e abraço pra quem é de abraço.
Amém.



QUIMIOTERAPIA (T3 N2 M0)

Câncer é um crescimento descontrolado de células de um tecido que invadem, se locomovem ou fazem a metástase e destroem, localmente e à distância, outros tecidos sadios do organismo. Em outras palavras, câncer é a transformação de uma célula normal em outra que se comporta de maneira muito perigosa para o corpo humano. Alguns novos estudos sugerem que que o câncer só se desenvolve em ambientes ácidos e com muito açúcar. Refrigerantes, com PH ácidos em torno de 3, e doses excessivas de açúcar, tornam-se meu veneno favorito.

A quimioterapia é a evolução natural dos estudos sobre o efeito do gás mostarda, usado nas primeiras guerras químicas. Os cientistas descobriram, com a exposição acidental de pessoas ao produto químico, que sob efeito deste, havia uma diminuição na contagem de leucócitos do sangue. Foi então deduzido que, um agente que danificava rapidamente o crescimento de leucócitos, deveria ter um efeito similar no câncer.

Na década de 1940, muitos pacientes com linfoma avançado receberam drogas por via intravenosa, provocando uma melhora temporária notável. Como resultado, muitas outras drogas foram desenvolvidas para o tratamento contra o câncer, prejudicando a mitose celular e afetando as células de crescimento rápido. Como consequência colateral, terminam atacando também outras células de divisão rápida, como as responsáveis pelo crescimento do cabelo.

Os resíduo do medicamento são expelido pelo corpo através da urina ou pelas fezes. Este resíduo ás vezes são tão tóxicos como o próprio medicamento e muitos são excretados por vários dias, colocando em risco pessoas com contato mais íntimo.

Mais bem informado, em 5 de novembro, fui para a primeira sessão de quimioterapia, no mesmo Hospital Samaritano, onde realizei a cirurgia.

Na noite anterior, tive uma crise alérgica que me deixou sem dormir: meus pés e mãos ficaram vermelhos e inchados. No hospital, de manhã, a crise se repetiu e fui medicado contra mim mesmo: o Cortisol e a Histamina produzidos pelo nervosismo e ansiedade atacavam meu próprio corpo.

Para além disso, meu apetite tinha desaparecido, e eu estava emagrecendo muito rápido.

O Dr. Renan passou a agenda: PET-CT, quimioterapia e mais uma cirurgia, para a implantação do PORT-CATH (explico mais adiante o que é isso).

Fui conduzido para a sala do PET-CT onde recebi uma dose radioativa de um composto baseado em flúor. O PET-CT é a última tecnologia no diagnóstico de câncer e funciona mais ou menos assim: as células cancerígenas absorvem rapidamente o material radioativo; as células normais demoram mais para fazer isso. Sendo assim, se a tomografia for feita na primeira hora, tudo que brilhar tem potencial cancerígeno. É confortante perceber a evolução da medicina. Os atuais tratamentos, minimizam o risco de morte e, definitivamente, melhoram a qualidade de vida dos pacientes.

Embora empolgante, o PET-CT não trouxe resultados muito animadores. Embora tenha se extirpado todo o câncer do intestino, o exame detectou a formação de outra fonte de câncer, maligno, no pulmão. A quimioterapia era indicada quase que imediatamente.

Fui conduzido antes para o centro cirúrgico para a colocação do PORT-CATH morrendo de medo. Entretanto, o médico recusou-se a fazer a cirurgia pois eu tinha tomado o tal do contraste radioativo e, de alguma maneira, havia algum risco em fazer a cirurgia no mesmo dia.

Fui então reconduzido ao quarto onde recebi a primeira dose de quimioterapia numa veia periférica, instalada na mão.

Antes, tive de assinar um termo de comprometimento de que, caso houvesse alguma restrição do plano de saúde, eu teria de pagar as injeções de quimioterapia, nos valores de R$ 11.000,00 e R$ 21.000,00 (cada aplicação!!!).

Assim começaram as aplicações dos seguintes químicos:

  • Bevacizumabe - 400mg/16ml - aplicado durante 2 horas (R$ 21.000,00!)
  • Fluorouracil - 500mg/10ml - aplicado durante 2 horas
  • Oxaliplatina - 50mg/10ml - aplicado durante intermináveis 46 horas



    CIRURGIA DO PORT-CATH

    O PORT-CATH é um catéter implantado entre a pele e o musculo peitoral, com uma agulha flexível espetada numa veia de alto volume, bem na entrada do coração.

    Com a chegada de mais uma cirurgia, mais medo e dor.

    Desci para o centro cirúrgico com a quimioterapia espetada na mão e bem nervoso. E fui ficando ainda mais tenso quando os médicos começaram a chegar e a manter seu papo cotidiano, como se o que estivesse acontecendo ali fosse a coisa mais normal do mundo - pra eles, claro.

    Quando interpelado pela anestesista, fui bem sincero: "estou muito nervoso". E ela me consolou quase imediatamente: "vou colocar você pra dormir". Depois, não lembro mais de nada.

    De volta ao quarto, terminei aquela primeira sessão quase sem efeitos colaterais. Recebi alta no sábado, mais de 80 horas depois de ter entrado. Meus braços tinham várias picadas de agulhas e minha mão ficou totalmente queimada, talvez com a pouca aplicação de potássio, interrompido pelas dores alucinantes que me causavam.



    VIDA SOCIAL

    As sessões de quimioterapia se sucederam a cada 15 dias.

    Minha vida social foi bastante alterada. Com a baixa da imunidade pela aplicação dos quimioterápicos, tive de evitar lugares públicos e comidas da rua, principalmente as cruas (má notícia para um apreciador de sashimi e outras iguarias japonesas).

    Desapareci do meu convívio de amigos e praticamente me tornei um ermitão. Comecei a contar os dias para a reconstrução da colostomia, que basicamente me deixava arrasado.

    O fato de não ter controle sobre ela, e, ocasionalmente, ela fazer ruídos desagradáveis, me deixava bastante anti-social. Certa vez, entre as idas e vindas pra casa da minha mãe, onde eu almoçava com mais tranquilidade, encontrei outros moradores do prédio e, de tão nervoso, tremia dos pés a cabeça. Embora não hajam restrições físicas para um ostomizado, não estava pronto para conviver socialmente com ela...

    Minhas noites de sono eram difíceis e dormir de costas era minha única opção.

    Senti falta de chocolate, refrigerante e outras coisas comuns do meu cotidiano. Neste meio de aplicações quimioterápicas, perdi 20Kg, passando dos meus 115Kg para (ainda nem tão esbeltos) 95Kg.



    ACONTECIMENTOS

    Pouco antes da quinta sessão de quimioterapia, já fiquei basicamente acostumado com a - merda - da bolsa de colostomia. Os médicos decidiram que a reconstrução só seria feita no fim da quimioterapia, o que me prorroga o prazo por mais 3 meses.

    O segundo PET-CT realizado durante a sexta sessão mostrou que todos os focos de câncer no pulmão foram removidos. Foi uma grande notícia. Neste meio tempo, aproveitei o tempo livre por estar afastado do trabalho e cumpri algumas pendências particulares. Refiz meu site de internet, e diversos outros projetos, como o Hóquei Brasil e o MovieFrame.

    Meus posts do Facebook atingiram números grandes para quem não é uma internet celebrity. Recebi muitos comentários, alguns deles com muito carinho de quem eu não esperava. Fiquei muito feliz e bastante comovido.

    Fiquei orgulhoso pela consideração que algumas pessoas tiveram por mim e feliz por ter cativado algumas outras.

    Durante a disputa do Torneio Internacional de Hóquei em Patins Frederico Mendes Jacques, em novembro, meus ex-companheiros de clube me fizeram uma homenagem emocionante. E ainda terminaram campeões.

    Meu primeiro evento social, foi o jantar de natal da Beta do Brasil. Fui recebido por uma ovação liderada pelas meninas, e tive borboletas no estômago. Depois fui afastado da empresa e encostado no INSS, o que me deixou um pouco triste.

    No meio de tudo isso, ainda achei um tempo pra mudar de casa - uma cobertura novinha na Rodovia Raposo Tavares - onde realizamos o Réveillon 2014/2015 com uma festa lotada de pessoas queridas.

    Em todas as sessões de quimioterapia, não tive nenhum efeito colateral grave, como queda de cabelo ou enjôo, lugares comuns para este tipo de tratamento. Pra mim, apareceram as espinhas, alguns problemas de visão turva, falta de interesse sexual e uma voz irritantemente alterada. Levo choques nas pontas dos dedos e na língua, quando em contato com gelados. Tive ainda ruborização e prisão de ventre, mas somente durante a aplicação dos químicos. E, pontualmente, aquela vontade absurda de não fazer absolutamente nada.

    Para evitar feridas na boca, comum também na quimioterapia, faço bochechos regularmente com enxaguantes bucais (sem alcool) e com bicarbonato de sódio.

    Por causa da minha restrição à multidões, perdi a inauguração da Arena Palestra, mas não faltei na eleição para presidente do clube, ajudando na vitória do empresário Paulo Nobre.

    No meio deste calorzão do verão, não posso ir na piscina maravilhosa que tem aqui no condomínio.

    Li muitos livros, grande parte deles sobre empreendedorismo.
    E tive novas grandes idéias.

    É a vida que segue.







    FASE FINAL

    Bem próximo das sessões finais de quimioterapia, comecei a sentir enjôos leves, principalmente com o cheiro que me lembrava o Hospital. Parece engraçado, mas mesmo a comida do Hospital variando todos os dias, o cheiro básico é o mesmo.
    Na sétima sessão de quimioterapia, os médicos se atrapalharam na perfuração do PORT-CATH e até suspeitaram que o mesmo estava entupido - só mais um sustinho pra acompanhar.
    Algumas datas não foram cumpridas religiosamente no calendário de quimioterapia, e perdemos alguns dias no percurso.
    Em resumo, acostumei com os procedimentos e tenho levado uma vida normal - exceto por estar afastado de tudo que gosto de fazer.
    Na nona sessão, recebi um aviso da BETA que basicamente me colocava fora da empresa. Os anos que despendi em diversos sacrifícios para a empresa, se perderam nestes 6 meses. Mas, siceramente, não me arrependo. Fiz a minha parte como sempre.
    O engraçado é que, no período em que fiquei afastado, os clientes me ligavaram sempre que as coisas ficavam mais difíceis, afirmando a competência que me acompanha. Recebi propostas para novas oportunidades o que me fez ficar pensativo e tirou um pouco do peso de ter sido "fritado" na Beta.
    Engordei de novo conforme a vida foi voltando ao normal, e recuperei 10 quilos dos 20 que perdi. Passei para 105Kg.
    Houveram alguns danos significativos na boca. Os dentes ficaram um pouco comprometidos e os sangramentos eram constantes. Aftas (ou erupções) apareciam ocasionalmente e eram bastante doloridas.
    Recebi - e aceitei - o cargo de treinador da equipe principal de Hóquei em Patins da Associação Portuguesa de Desportos, marcado para quando da minha volta às atividades de convívio social. Sem dúvida, uma nova perspectiva do esporte que amo tanto.




    FIM DA QUIMIOTERAPIA E CIRURGIA DE RECONSTRUÇÃO

    A última sessão de quimioterapia foi longa, 5 dias, e terminou em 8 de maio. Junto, fiz mais um PET-CT que repetiu o resultado negativo para neoplasia maligna no meu corpo.
    A notícia foi ótima e antecedeu a ansiedade para a cirurgia de reconstrução do intestino e retirada da bolsa de colostomia. O prazo para a cirurgia é de aproximadamente seis semanas, pois o corpo precisa se recuperar da quimioterapia. Isto acontece, pois a quimioterapia inibe a regeneração celular e a cicatrização, o que tornaria a cirurgia de alto risco.
    O fato é que, sem dúvida, o que foi de pior nesse período todo foi a convivência com a bolsa de colostomia. Fora que é bem difícil encontrar os modelos da coloplast SenSura, com as quais mais me adaptei. Por isso, foi natural a ansiedade na espera da cirurgia.
    Compareci então ao Oncologista e depois ao Gastro, que marcou a cirurgia para o dia 29 de junho, SE os meus índices de plaquetas, glóbulos brancos e proteínas estiverem satisfatórios. Caso contrário, a operação seria em agosto. :(

    Fiz então mais uma colonoscopia para ver se estava tudo bem: e estava. Os exames de sangue também foram convincentes e no dia 28 de junho de 2015 comecei o jejum pré-operatório.
    Li algumas coisas sobre a reversão da colostomia na Internet. Li que muita gente deixa de fazer a cirurgia por medo – a tal síndrome do jaleco branco. Riscos existem, e esta é considerada uma operação grande, pois há abertura da cavidade abdominal e, consequente, riscos de infecção, rejeições da anestesia, etc.
    Há sim casos de morte pós-operatória, principalmente quando da ruptura da emenda feita no intestino – quando há vazamento de fezes na cavidade abdominal e infecção generalizada. Mas, estatisticamente, a maior parte dos casos ocorre sem percalços.
    Há duas formas para a realização desta cirurgia: manualmente ou por vídeo (laparoscopia). O método operatório da reversão da colostomia é feita através de um grampeamento (isso mesmo – grampos de titânio fixados por um grampeador gigante). Um grampeador gigante é inserido pela bunda e faz o serviço como um bloco de papel. Um pouco desagradável pensar nisso, confesso.
    Independente das novas informações, fui pro Hospital Samaritano na manhã do dia 29. Fiquei em espera na sala do pré-operatório até ser conduzido ao centro cirúrgico. A operação aconteceu pouco depois do meio-dia.

    Acordei com poucas dores ainda na sala de recuperação. O Dr. Corsi me disse que tinha corrido tudo bem e que a cirurgia tinha sido realizada por vídeo – o que ajudaria na recuperação. Ele tinha aproveitado para analisar outros órgãos com o vídeo e estavam todos bem. Também foi retirada a vesícula, e algumas pedras foram me dadas de presente em um potinho. Para tranquilizar a família, o Dr. Corsi fez um selfie e enviou para a Claudia pelo Whatsapp.
    Fui para o quarto, onde começou a etapa final de recuperação. Eu estava com as sondas de urina, nasal e o dreno – já comecei a sofrer por antecipação quando da retirada dos mesmos. Com dores nos pontos e incomodado com os drenos, tive de novo aqueles maus pensamentos de que talvez fosse melhor já ter ido desta para melhor. É engraçado que, quando o grau de sofrimento atinge níveis acima do seu limite, estar vivo, ou não, parece não ser uma questão muito importante pra você.
    Fiquei em jejum absoluto pelos dois dias seguintes. A sonda de urina foi retirada na manhã da terça, junto com a sonda nasal. É uma sensação agoniante – difícil até de descrever. Fui então para o banheiro e pela primeira vez senti de novo aquela sensação de estar cagando. Ahhh.... muito sangue e água, ainda restos da cirurgia.
    Na quarta-feira, foi liberada a ingestão de gelatina (odeio) e comi 3 potinhos. No dia seguinte já pude mordiscar um pãozinho e, no outro dia, quinta, já podia comer uma refeição mais leve, com arroz, carne moída e verduras – que mal toquei. Ainda sob efeitos pós-cirúrgico, comer não era uma coisa muito legal.

    No sábado tive alta e fui pra casa com o dreno. Para além de escoar líquido pós-operatório da cavidade abdominal, o dreno serviria de alerta caso houvesse uma fistula – ruptura do intestino e vazamento de fezes na cavidade abdominal, único risco a partir daqui.

    Existiam alguns riscos (raros) provocados pelo corpo em operações de reconstrução intestinal. Resumidamente, o intestino podia ficar constipado (entupido) pelas fezes que não são processadas adequadamente, causando dor e outras complicações. Nestes casos, seria necessário outro processo cirúrgico para limpeza, alguns até com a reinstalação da bolsa de colostomia. Também li sobre casos de que os pacientes voltaram a fazer a colostomia, pois tiveram incontinência fecal – ainda mais desagradável que a bolsa.
    Sendo assim, não preciso dizer que fiquei bastante tenso durante o período de recuperação, ansioso pela eliminação das primeiras fezes – que atestariam o sucesso da cirurgia.
    Comecei a expelir muco com sangue e depois só o muco puro. A eliminação de gases era sinal de que a operação tinha sido bem sucedida, mas eu comecei a entrar em pânico porque não conseguia evacuar. Minha cabeça entrou em parafuso e eu imaginava que as fezes estavam presas na emenda, prontas para romper os grampos e vazarem para a cavidade abdominal.
    Os dias foram passando e nada do cocô aparecer. Não conseguia dormir direito e entrei num estado de paranóia. Alguns fatores me faziam acreditar que o intestino tinha parado de vez, pois eu me encaixava em várias possibilidades: Dieta pobre em fibras, Ingestão insuficiente de líquidos, Efeitos secundários da medicação, Aderências intestinais (faixas de tecido fibroso cicatricial que podem se formar após uma cirurgia abdominal) e muito tempo de repouso.
    Mandei uma mensagem para o Dr. Corsi (em férias na Croácia) e ele me recomendou o MUVINLAX – um sache com gosto de limão, que tomei na quarta-feira, uma semana depois de ter começado a comer. Para quem costumava ir ao banheiro mais ou menos 3 vezes por dia, ficar uma semana “preso” era bem estranho.
    E então na quinta-feira veio o cocô – sem dor e sem esforço. Um atrás do outro. Uma tarde e uma noite indo no trono. Seria preciso reaprender o poder de segurar.

    Na sexta, fui pela ultima vez no consultório, para a ultima etapa deste tratamento: a retirada dos pontos e do dreno. É um incômodo tirar o dreno, e saí de lá com a impressão de que tinha tomado um chute no saco.
    Mas fui pra casa feliz da vida, pela primeira vez, em 9 meses, sem nada preso ao meu corpo para incomodar.




    DESDOBRAMENTOS

    As coisas foram voltando ao normal. Engordei os 10kg que me faltavam para chegar ao peso de antes disso tudo acontecer, os 115kg.
    Tive algumas crises de depressão, por incrível que possa parecer, eterno otimista. As crises de neuropatia também ficaram maiores (aqueles choquinhos na ponta dos dedos). Sentia-me constantemente sozinho no meio da multidão. Não sabia por onde começar.
    A minha expectativa para a retirada do port-cath foi frustrada em virtude do início de um novo ciclo de quimioterapia, em setembro de 2015. Mais um ano de aplicação do Avastin, procedimento recomendado mundialmente.

    De volta ao trabalho, ganhei férias de 30 dias no primeiro dia, o prenúncio da demissão. Embora tenham me garantido que eu continuava nos planos da empresa, verbalmente e por e-mail, fui demitido sem nenhuma formalidade e uma completa falta de ética e respeito, no meio do caríssimo tratamento de quimioterapia.
    "Houve uma ordem da Itália para que fizéssemos um acordo com você para que tudo fique bem", disse o novo presidente. Mentira. A Beta pagou todas as obrigações trabalhistas mas esqueceu de todas as variáveis, comissões e bônus anuais, largando ainda seu funcionário modelo à própria sorte, cancelando o plano de saúde essencial para o tratamento.

    Foram meses estressantes os que correram durante a migração para outro plano de saúde da mesma operadora. Enquanto o Bradesco não concluiu a migração, fazendo a portabilidade dos direitos, tive de assinar documentos de confissão de dívida nos valores absurdos de quase R$ 50.000,00 por sessão de quimioterapia. Se o Bradesco não tivesse aceitado a migração, eu seria um fardo financeiro para mim mesmo.

    Sem emprego, fui derretendo as economias guardadas ao longo dos anos. Embora eu seja um profissional diferenciado do mercado, a crise brasileira contribui para a escassez de novas oportunidades.
    Para além da empreitada furada do Combo Infinito, contratei os picaretas da Thomas Case para tentar uma recolocação no mercado de trabalho. Nada.

    Os sintomas deste ano de quimioterapia, foram perceptíveis: muita dor nas articulações e a dificuldade de recuperação do cansaço, foram os grandes responsáveis pela minha baixa forma física, uma vez que era impossível praticar qualquer atividade física. Para além disso, minha cicatrização estava bem comprometida e meu corpo demorava para recuperar-se de qualquer lesão, incluindo as inocentes marquinhas de sofá, culminadas em uma hérnia abdominal e nos constantes sangramentos dos dentes e do aparelho respiratório.



    RENASCIMENTO

    A última sessão de quimioterapia aconteceu em setembro de 2016. Mais ou menos na mesma época em que eu cheguei ao fundo do poço financeiro – guardadas as devidas proporções.
    Vendi um dos meus carros pra recompor meu capital de giro e montei meu próprio negócio: empreender seria uma solução para correr atrás do tempo perdido.
    Abandonado pelos meus "amigos" da BETA, decidi entrar com uma ação trabalhista (uma coisa que eu nunca tinha feito antes), não como uma forma de vingança, mas com a intenção de fazer justiça: a nova diretoria da empresa simplesmente abandonou suas obrigações éticas, sociais e morais, coisa que nunca tinha feito antes.
    E vou renascendo, amarrado ao Hóquei sobre Patins, à meu novo empreendimento e ao novo ano que se inicia.




    PRÓXIMOS CAPÍTULOS:

    E depois de um longo período de tratamento, acabou, por enquanto.
    Ainda tenho de ir ao hospital a cada 21 dias, limpar o port-cath. É cedo para se falar em CURA. Os últimos exames PET-CT demonstraram que TODO o câncer foi erradicado do meu corpo. Entretanto, como existe um risco de que volte nos próximos cinco anos, o termo correto a ser usado é REMISSÃO.
    Não existem palavras para descrever tudo que aconteceu nesse período de dor, desânimo, força, solidão e, acima de tudo, esperança. O certo é que, depois desses quase 2 anos de luta, afastados de tudo e todos, estou voltando aos poucos.
    O desafio é agora sair da inércia que esse desvio proporcionou, e voltar a ser o ser humano que sempre quis ser.
    Obrigado a todas as palavras de carinho e apoio, em todos os sentidos.

    Assim que forem acontecendo mais coisas nesta batalha pela vida, vou escrevendo por aqui.


    Beijos para quem é de beijo e abraços para quem é de abraço.

    Ainda faltam:

  • Operação para retirada do PORT-CATH (aproximadamente 6 meses depois do fim da quimioterapia)
  • Cura! :)






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    Marcelo Martins de Albuquerque - ©1997-2014 Todos os direitos Reservados